A project of the Dark Energy Survey collaboration

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Virando a noite mundo afora

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Semana passada, detetives do DES fizeram ações coordenadas em vários continentes para reunir evidências de como o tecido do espaço-tempo está se expandindo.

Em Sussex, Inglaterra, cerca de 100 detetives se encontraram para discutir o estado atual e futuro do levantamento sendo conduzido no telescópio Blanco, localizado em Cerro Tololo, Chile. Nesse encontro semestral da colaboração (sempre em um lugar diferente), continuamos a planejar novas estratégias para “enquadrar” a evolução do espaço-tempo e energia escura: na verdade, enquanto escrevo essas linhas, vários resultados preliminares estão se preparando para vir a público.

Enquanto isso em Cerro Tololo, um time de observadores operava a Câmera da Energia Escura (DECam) no telescópio Blanco, caminhando em direção ao fim da segunda temporada de observações do levantamento. Cada temporada vai de Agosto a Fevereiro, aproveitando o verão Chileno.

No Telescópio Anglo-Australiano no Observatório Siding Spring na Australia, temos o lar do Levantamento OzDES – um projeto para obter medidas de distâncias altamente precisas de objetos descobertos pelo DES, tais como supernovas e aglomerados de galáxias. Essas “diligências” fora do DES são importantes para ajudar a montar o perfil da energia escura.

Já em Cerro Pachon, ao lado de Cerro Tololo, dois agentes começaram a procurar por evidências de desvios no espaço-tempo, usando o Telescópio Gemini Sul (@GeminiObs). Foram seis noites de trabalho para medir com grande acurácia a distância de sistemas de lentes gravitacionais fortes. Esses sistemas são galáxias ou grupos de galáxias que tem massa o suficiente para distorcer o tecido do espaço-tempo. A distorção é tão grande que raios de luz provenientes de galáxias e quasares que estão atrás desses sistemas se curvam. O resultado em imagens da DECam é a aparição de múltiplas fontes ou fontes distorcidas, tal qual em uma lente óptica. Nos próximos relatórios apresentaremos mais detalhes sobre essas evidências.

Nesse meio tempo, supercomputadores do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação (NCSA) estão processando na calada da noite (e do dia) os dados da DECam, transformando imagens em dados refinados – prontos para a análise dos times científicos.

A imagem acima não mostra nenhuma forte evidência de lentes fortes, mas é um exemplo do exemplar conjunto de evidências que o DES continua a acumular a cada noite.

Eis as posições de algumas das galáxias acima. Que informações você pode levantar sobre elas? Existem várias ferramentas na internet que podem te auxiliar nessa investigação (por exemplo, http://ned.ipac.caltech.edu/forms/nearposn.html; tome cuidado com o formato das posições ao entrar, use como abaixo). Tuíte seus achados para nossos agentes em @darkenergdetec, e podemos comparar nossas anotações.

RA: 304.3226d,    Dec: -52.7966d

RA: 304.2665d,    Dec: -52.6728d

RA: 304.0723d,     Dec: -52.7044d

 

Boa noite, e olho vivo,
Det B. Nord

Imagen: Det M. Murphy

Tradução: Det. Ricardo Ogando


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Afluentes do tempo: as folhas de outono

DES2111-0124_20140923_03_gri_20140923_000.cut.edit1.6-1000pxNo clima temperado do Hemisfério Norte, quando o inverno está para começar, podemos perceber a mudança das cores das folhas. O verde brilhante do verão dá espaço aos amarelos, laranjas, e roxos. Isso ocorre porque as células das folhas tem instruções de como reagir a ambientes cada vez mais frios: essa reação reduz a produção de pigmento verde, a clorofila, permitindo que outras cores (causadas por pigmentos como carotenóides e antocianinas) passem a dominar a paisagem. Quando a primavera retorna, as folhas ressurgem cheias da clorofila produtora de oxigênio.

Ano após ano, esse ciclo de morte e renascimento afeta a vegetação ao nosso redor.

Mas e se fôssemos insetos? O que aconteceria se, como uma mosca, vivêssemos por apenas um dia ou dois? Será que teríamos a capacidade de compreender o desenho da grande peça de tapeçaria que nos envolve?  Imagine-se por um dia apenas na Terra, observando as folhas de todo o globo terrestre – em diferentes ambientes e com idades e condições de saúde variadas. Com o prazo de apenas um dia para criar um cenário coerente, será que conseguiríamos juntar todas as pistas necessárias para relacionar cores, ambientes, e o funcionamento das folhas?

Esse é o desafio que enfrentamos ao tentar entender o ciclo de vida de galáxias, as folhas de nossa árvore cósmica de matéria e luz. Para esses objetos celestiais nós somos de fato insetos efêmeros, vivendo apenas por um piscar de olhos numa escala de tempo cósmico.

Na imagem acima, imagine uma miríade de redemoinhos de poeira, com suas cores passeando por todo o espectro visível do arco-íris e além. Cada um deles contendo bilhões de estrelas. Através de nossos telescópios, cameras, e espectrógrafos, somos capazes de identificar os diferentes elementos químicos que compõem essas galáxias. Através de nosso entendimento da natureza, conseguimos conectar essas observações aos processos físicos, indo do longo alcance da gravidade até a pequeneza da mecânica quântica.

As cores das galáxias, assim como as das folhas nas árvores, também são o resultado de diferentes composições químicas e idades. Galáxias azuis são jovens e contem gás o suficiente para manter abertos os berçários estelares que ilumina o cosmo com sua luz azulada. Galáxias vermelhas já fecharam seus berçários de formação estelar pois praticamente todo o gás já foi consumido não restando nada para a gravidade colapsar em bolas de fusão nuclear. Essas galáxias “vermelhas e mortas” representam o fim do ciclo de vida de galáxias.

Embora possamos espionar o interior das galáxias e revelar o seu âmago, ainda não temos nenhuma maneira de testemunhar sua formação, e menos ainda, o descortinar de sua vida. Cada estrela representa um igarapé, e cada galáxia um afluente do tempo, um rio cujo delta é um grande quebra-cabeça cósmico.

Det. B. Nord

Imagem: Dark Energy Camera [Editado e registrado por Det. M. Murphy]

Tradução: Ricardo Ogando (@thespacelink)